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Terça-feira, 30 de Junho de 1981
ÂNGELA LEITE


Ângela Leite
Ângela Leite,
 



Nasceu em Vouzela em 1965 , mas cedo se fixou em Oeiras onde vive actualmente.
Licenciou-se em Filosofia, pela Faculdade de Letras de Lisboa e leccionou durante vários anos.
Paralelamente desenvolveu larga actividade no âmbito da educação. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, na Universidade de Caen, no campo das Ciências da Educação; membro fundador do Laboratório de Investigação Pedagógica (LIP); docente na área de formação de professores do Instituto António Aurélio da Costa Ferreira e de Sociologia na Escola Superior da Policia Judiciaria. Mantém intensa actividade associativa e de voluntariado. Escreve em vários jornais e revistas.
Em 2001, publicou o seu primeiro livro de poemas, Metáforas sobre o Amor, cuja reedição ocorreu no ano seguinte em 2003, o primeiro livro de prosa, Os Homens de Kidina; em 2005, o segundo livro de poesia, As Horas de Penélope.
 

 ORIGEM: Aveiro e Cultura



nescritas às 02:16
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Quarta-feira, 3 de Junho de 1981
Percursos



Albert Bloch

 

 

Eu sei quanto me amaste

mas o silêncio tolheu-te

a palavra

de mudez

 

Um na frente do outro

nenhum deu o primeiro passo

sempre da outra margem

nos olhámos

 

Em que ponto

lugar

e circustância

se tornou pedra o desencontro?

ou será que nunca foi vento e sopro?

 

Como ilhas

juntos caminhámos

cada um cercando o outro

e o cerco do outro

o outro vigiando

 

Mil vezes me tiveste

e eu te tive

e nelas não me tiveste

nem te tive

insatisfeito e amargo

o fim de cada abraço

 

Desespero, grito, raiva

explodindo em soluços

na garganta cortada

tudo sabendo um do outro

e impossível a fala

 

As vozes que habitavam em nós

foram caladas

Tanto e tão mal nos amámos

vício do sofrimento

que apenas a morte de um

pode quebrar.

 

in Metáforas Sobre o Amor,

Câmara Municipal de Oeiras, 2001



nescritas às 21:44
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Terça-feira, 2 de Junho de 1981
De Mim para Mim com Amor



Elena Feliciano, Red Rose stiletto

 

 

Desatei o laço

do ramo de rosas

que comprei

na florista

para mim

Abracei-as desatadas

soltas

rosas da cor do sol, do sangue, do fogo

resplandecentes

húmidas do orvalho

cúmplice

que a florista quis que tivessem

E rocei os lábios pelas pétalas

deleitada

evocando o prazer que terias

se fosses tu a dar-mas.

 

in Metáforas Sobre o Amor,

Câmara Municipal de Oeiras, 2001



nescritas às 15:12
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Segunda-feira, 1 de Junho de 1981
Na Palma da Mão


 www.Pbase.com
© Ernst Schütz, Wild Flowers in July Gallery
Private Gallery at Pbase

 

 

Não tenho vocação para a saudade
é o agora que amo
em cada gesto em cada cheiro
em cada cor em cada choro.
É o brilho das coisas
e a neblina
o claro e o escuro
da condensada noite,
e a fluidez da manhã
acordada sozinha.

 

É o mistério das coisas que contemplo
olhos para o futuro que trago comigo
desde que nasci.

 

  

«Metáforas sobre o Amor», de Angela Leite,

Câmara Municipal de Oeiras, 2001 

 

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nescritas às 02:13
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