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Ângela Leite,
Nasceu em Vouzela em 1965 , mas cedo se fixou em Oeiras onde vive actualmente.
Licenciou-se em Filosofia, pela Faculdade de Letras de Lisboa e leccionou durante vários anos.
Paralelamente desenvolveu larga actividade no âmbito da educação. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, na Universidade de Caen, no campo das Ciências da Educação; membro fundador do Laboratório de Investigação Pedagógica (LIP); docente na área de formação de professores do Instituto António Aurélio da Costa Ferreira e de Sociologia na Escola Superior da Policia Judiciaria. Mantém intensa actividade associativa e de voluntariado. Escreve em vários jornais e revistas.
Em 2001, publicou o seu primeiro livro de poemas, Metáforas sobre o Amor, cuja reedição ocorreu no ano seguinte em 2003, o primeiro livro de prosa, Os Homens de Kidina; em 2005, o segundo livro de poesia, As Horas de Penélope.
ORIGEM: Aveiro e Cultura

Albert Bloch
Eu sei quanto me amaste
mas o silêncio tolheu-te
a palavra
de mudez
Um na frente do outro
nenhum deu o primeiro passo
sempre da outra margem
nos olhámos
Em que ponto
lugar
e circustância
se tornou pedra o desencontro?
ou será que nunca foi vento e sopro?
Como ilhas
juntos caminhámos
cada um cercando o outro
e o cerco do outro
o outro vigiando
Mil vezes me tiveste
e eu te tive
e nelas não me tiveste
nem te tive
insatisfeito e amargo
o fim de cada abraço
Desespero, grito, raiva
explodindo em soluços
na garganta cortada
tudo sabendo um do outro
e impossível a fala
As vozes que habitavam em nós
foram caladas
Tanto e tão mal nos amámos
vício do sofrimento
que apenas a morte de um
pode quebrar.
in Metáforas Sobre o Amor,
Câmara Municipal de Oeiras, 2001

Elena Feliciano, Red Rose stiletto
Desatei o laço
do ramo de rosas
que comprei
na florista
para mim
Abracei-as desatadas
soltas
rosas da cor do sol, do sangue, do fogo
resplandecentes
húmidas do orvalho
cúmplice
que a florista quis que tivessem
E rocei os lábios pelas pétalas
deleitada
evocando o prazer que terias
se fosses tu a dar-mas.
in Metáforas Sobre o Amor,
Câmara Municipal de Oeiras, 2001

© Ernst Schütz, Wild Flowers in July Gallery
Private Gallery at Pbase
Não tenho vocação para a saudade
é o agora que amo
em cada gesto em cada cheiro
em cada cor em cada choro.
É o brilho das coisas
e a neblina
o claro e o escuro
da condensada noite,
e a fluidez da manhã
acordada sozinha.
É o mistério das coisas que contemplo
olhos para o futuro que trago comigo
desde que nasci.
«Metáforas sobre o Amor», de Angela Leite,
Câmara Municipal de Oeiras, 2001
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